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OUTRO FILHO? FALA SÉRIO!

MATERNIDADE E SUAS PREOCUPAÇÕES 

outro filho?  Fala sério!
Ter filhos é sempre uma opção e precisamos analizar com cuidado o que se aplica melhor na nossa realidade!


          Eu sempre encarei a maternidade como algo muito serio e que necessitava de grande  investimento.  Não falo do dinheiro, mas em todo o investimento físico e emocional que envolve esta missão.
         Nosso planejamento quando engravidei, era de ter pelo menos dois filhos.
         Naquela época o autismo nem de longe era algo que imaginávamos, e como pais de primeira viagem, tinhamos outras preocupações:

  • amamentação;
  • se saberia cuidar dele da maneira correta;
  • se teria ou não alergia as fraudas;
  • como seria quando eu tivesse que retornar ao trabalho...



Alegrias De Primeira Viagem

       Quando meu bebêzinho nasceu, foi aquela alegria!  Eram tantas novidades e descobertas...
       Nosso filho não tinha nenhuma anormalidade aparente, e não haviam motivos de preocupação.
       Mas com o passar do tempo, as coisas foram se revelando um pouco diferentes do que imaginávamos...
       Depois de um ano, percebemos que algumas coisas não estavam acontecendo do jeito que deveriam, e embora algumas pessoas nos disessem que era assim mesmo; que crianças se desenvolvem em seu próprio tempo, como educadora eu sabia que havia algo fora do lugar... 

Caindo Na Real

       E depois de um longo caminho, minhas suspeitas se confirmaram: Pedro Herique tinha autismo!
       Foi um periodo onde só conseguiamos pensar em como ajuda-lo.
       Mas eu e meu marido começamos a rever um outro projeto: ter um segundo filho...
       A princípio, não nego que realmente pensei em ir a diante com esta segunda maternidade, mas com o passar do tempo e nossa rotina diária, muita coisa mudou na nossa visão 
       Com o passar do tempo, fomos entendendo que a  rotina de uma criança com necessidades especiais é muito intensa.  É uma rotina de adulto: terapias com vários dias e horários diferentes; encontrar uma escola onde nosso filho possa se adaptar e ser tratado com dignidade; exames e consultas frequentes e em locais e horários nada favoráveis; perícias médicas, e por aí vai!
     Quem está de fora e vê a melhora na vida de nossos filhos, não faz idéia da loucura que é nosso cotidiano.
     Na maioria dos casos, assim como acontece na minha casa, as mães não tem uma agenda própria, elas ficam a mercê da agenda dos filhos, para poder definir as próprias.
     Geralmente o tempo que algumas de nós tem para cuidar da própria vida, é quando eles estão na escola,  isso para aquelas que não ficam na escola com seus filhos!

No Olho Do Furacão

        Com o tempo fui amadurecendo e reavaliando minhas opções.
        Hoje ouço o tempo todo:
       "Agora só falta a menininha..."; "Ele está grande né, tá  na hora de providenciar um outro..."; "não se preocupe... Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar!"
        Mas a vida e as salas de espera me ensinaram que não é bem assim,  que na prática,  "um raio, pode sim, cair no mesmo lugar várias vezes!"
        Existem inumeros casos de famílias que tiveram o primeiro filho com deficiência e que tentaram novamente, e o resultado foi o mesmo, e em escala mais agravada.
        E que teoria e prática, muitas vezes, não andam de mãos dadas...
        Quando estamos dentro de uma realidade, as coisas são vistas de modo diferente...         
        Não nego que seria maravilhoso passar novamente pela experiência das ultras, com aquelas batidas deliciosas de um coraçãozinho acelerado...
       Ou o momento único e incrível da amamentação, onde o mundo se resume em nós dois e mais nada!
       Ou aquele primeiro soriso que nos ilumina alma...
       É claro que eu gostaria de vivenciar tudo isso novamente!  Mas não posso ser ingênua e dizer que não me preocupo!
       Eu tenho que ser realista e analisar minhas possibilidades: 

Um Olhar Objetivo E Nada Sonhador

      1.TER UM FILHO SEM DEFICIÊNCIA:
      Seria muito bom, mas ainda assim seria uma criança com uma vida nada convencional.  
     Como não tenho quem me ajude, seria criado dentro das salas de espera, porque quando o irmão fosse as terapias e consultas, ele teria que ir junto, e esperar por horas, em locais desconfortáveis e sem nenhuma estrutura!
        Sem contar que dependendo da atividade, meu segundo filho não poderia participar, pois mesmo sendo uma criança bem adaptada, Pedro Henrique tem algumas restrições, e caso o local propósto não fosse apropriado, não poderiamos ir, e meu segundo filho seria tolhido...
      Já passei por situações de na porta de um evento, Pedro Henrique se recusar a entrar no local, e eu tive que voltar sem ver a exposição...
      
       2. TER UM FILHO COM O MESMO NÍVEL DE AUTISMO:

       Já começou a complicar...
       Teriamos que recomeçar todo o processo:  Busca por diagnóstico e laudo; locais para terapia, com filas de espera absurdas; encaixar os horários dos dois, que podem perfeitamente ser incompatíveis (É BEM COMUM ACONTECER!)
        Teria que lidar com uma vida ainda mais restritiva, pois seriam:  duas pessoas diferente com dificuldades para lidar com mudanças.
       
       3. TER UM FILHO COM UM NÍVEL DE AUTISMO COM COMPROMETIMENTO MAIOR OU OUTRA DEFICIÊCIA:
       Neste caso seria Pedro Henrique o prejudicado.
       Ele teria uma vida ainda mais restrita, e veria seu  mundo totalmente fora do lugar.

Sem Essa de Pessimísmo

      Sei que minha postura parece arbitrária e até mesmo pessimista, mas estou olhando para a vida de modo prático!
       Isso porque aqui em casa, não temos apoio externo, só podemos contar conosco e Deus, e isso se encaixa com a maioria das famílias que vivem dentro da realidade das necessidades especiais!  
       Ouvimos muito:  "meus parabéns... Ele está bem né?"; "Caramba... Ele cresceu muito, e está bem melhor..." 
       Mas na prática, só nós sabemos o preço que temos que pagar a cada dia!  
      NÃO ESTOU ME LAMENTANDO OU RECLAMANDO,  SÓ CONSTATANDO!!!
       Eu sei que não é o fim do mundo ter mais de um filho com ou sem deficiência, que várias famílias encaram esta realidade em suas vidas e estão felizes assim!
       Respeito isso, pois a opção que fizeram!   Mas também defendo a questão da livre opção, e a minha é a maternidade única!

Minha Opinião Final


       Acho muito importante buscar agregar o máximo de qualidade a vida, e isso tem relação direta com a atenção que um filho necessita.
      No caso de uma criança com necessidade especial, isso envolve muito tempo, paciência, persistência  e dedicação... Ou seja, com a chegada de uma nova criança as mudanças podem ser drásticas, e quem sabe poderiam causar um retrocesso naquilo que já avançamos?.
      Sei que nem tudo é esforço e desgaste, quando se fala de maternidade,  mas as coisas boas não são o motivo de preocupação... O que inquieta são as questões práticas que podem gerar transtorno, e devem ser avaliadas com muito cuidado...
      E após uma avaliação bem detalhada, decidimos que nosso opção final é de ficarmos só com o Pedro Henrique!
      Não digo que nunca, jamais e em hipótese alguma terei outro filho,  porque o futuro a Deus pertence!  Mas por opção, não tenho planos de outro filho!
      Mas não nego que é uma experiência maravilhosa viver a maternidade!
       



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